O ambiente de trabalho está passando por uma transformação. Mais do que espaços para trabalhar, os escritórios precisam oferecer diferentes possibilidades de convivência. Nesse cenário, as áreas de convivência ganham um novo papel: contribuir para o bem-estar, a conexão entre pessoas e a evolução das formas de trabalhar.
Uma meta-análise publicada em março de 2026 no Journal of Occupational and Organizational Psychology reuniu 35 estudos, 133 resultados e 7.959 profissionais para analisar os efeitos dos chamados Activity-Based Offices, modelos que oferecem diferentes ambientes de acordo com as atividades realizadas. Os resultados indicam efeitos sobre contato entre colegas, estresse e comportamento no trabalho, reforçando que a configuração física do escritório influencia a experiência de quem o utiliza.
A discussão sobre áreas de convivência ganha, portanto, uma nova dimensão. Elas deixam de ser espaços acessórios, destinados apenas ao café ou à pausa, e passam a fazer parte da estratégia do ambiente corporativo. Uma pesquisa da Delft University of Technology sobre design do ambiente de trabalho e bem-estar social aponta que características como atmosfera, diversidade espacial e privacidade podem ser relevantes para promover interação social e senso de pertencimento.
O desafio passa a ser criar ambientes que ofereçam possibilidades sem impor uma única maneira de utilizá-los. Para a Diretora de Produtos da Riccó, Caroline Requena, essa mudança exige olhar para o ambiente a partir de quem o utiliza:
“Quando entendemos como as pessoas ocupam e se relacionam com os espaços, conseguimos projetar soluções mais coerentes com suas necessidades. O objetivo é criar produtos que ofereçam conforto, ergonomia e diferentes possibilidades de utilização, contribuindo para uma experiência de trabalho mais saudável e produtiva.”
Design de espaços corporativos para conexão e bem-estar
Essa relação entre espaço, comportamento e comunidade aparece também em pesquisas qualitativas. Um estudo da University of Michigan analisou como usuários de um espaço de coworking constroem coletivamente um senso de comunidade a partir das interações cotidianas. A pesquisa mostra que comunidade não é simplesmente uma característica física do espaço, mas algo que emerge das relações e práticas que ele possibilita.
Uma pesquisa publicada em 2026 ampliou essa discussão ao investigar a necessidade de conexão no ambiente de trabalho por meio de 15 entrevistas e workshops de co-design com 21 participantes. O estudo identificou quatro dimensões relacionadas ao vínculo no trabalho: interações informais, amizade e vínculo, comunidade e cuidado organizacional e identidade compartilhada. É a partir dessa perspectiva que a Riccó trabalha com estudos etnográficos para compreender como as pessoas ocupam, utilizam e se relacionam com os ambientes de trabalho, levando esses aprendizados também para o desenho dos móveis.
Afinal, o mobiliário não deve apenas preencher um espaço. Sua forma, proporção, ergonomia e possibilidades de uso podem estimular diferentes maneiras de permanecer, interagir e trabalhar. Observar onde as pessoas se sentam, como se movimentam, quanto tempo permanecem e quais situações favorecem encontros permite transformar comportamentos reais em decisões de design mais precisas. Assim, o desenho do móvel passa a responder não apenas a uma necessidade funcional, mas também à experiência que se pretende criar no ambiente.
Mobiliário corporativo flexível: aluguel, venda e adaptação dos espaços
Se os modelos de trabalho, as equipes e as necessidades do negócio mudam, faz cada vez menos sentido pensar o escritório como uma configuração definitiva.
Uma empresa pode crescer, reorganizar departamentos, ampliar áreas colaborativas ou transformar espaços antes destinados a funções específicas. Nesse contexto, o aluguel de móveis corporativos surge como uma alternativa para tornar essa transformação mais dinâmica. Em vez de concentrar todo o investimento em uma estrutura que pode precisar ser modificada, a empresa pode adaptar o mobiliário conforme suas necessidades.
Essa lógica também impacta a gestão financeira. O aluguel pode permitir que um investimento tradicionalmente associado ao CAPEX seja tratado como OPEX, preservando capital para outras prioridades e trazendo maior previsibilidade ao planejamento.
Para Fábio Riccó, CEO do grupo Riccó, essa transformação representa uma mudança importante para o mercado:
“O mercado está mudando, e as empresas precisam de ambientes capazes de acompanhar esse movimento. As necessidades do negócio, das equipes e das pessoas não são estáticas, e o espaço de trabalho também não deveria ser. O aluguel traz uma nova possibilidade para essa realidade, porque permite adaptar os ambientes conforme novas demandas surgem, sem transformar cada mudança em um novo investimento definitivo. A possibilidade de transformar CAPEX em OPEX é importante porque dá mais flexibilidade financeira às empresas e permite preservar capital para outras prioridades.”
A transformação do ambiente também envolve olhar para o mobiliário que já existe. Quando uma empresa decide renovar seu escritório, a retirada, o transporte e a destinação das peças antigas podem se tornar obstáculos para a implantação de uma nova configuração.
Por isso, a Riccó também oferece retirada e compra de móveis antigos, facilitando a transição entre o ambiente atual e uma nova proposta. A venda de móveis corporativos também é uma opção, permitindo que cada empresa escolha o modelo mais adequado às suas necessidades: aquisição, aluguel ou uma combinação de soluções.
Essa possibilidade reforça uma visão mais dinâmica sobre o ciclo do mobiliário e permite que a renovação seja planejada de forma mais completa. A nova perspectiva sobre áreas de convivência, portanto, não está apenas em criar ambientes mais bonitos, informais ou acolhedores. Está em compreender que relações, comportamentos e necessidades também fazem parte do projeto.
As pesquisas mais recentes mostram que a configuração do ambiente pode influenciar experiências, comportamentos, contato entre colegas e oportunidades de interação. Para as empresas, isso significa repensar o escritório não como uma estrutura estática, mas como um ambiente capaz de evoluir junto com sua cultura, suas pessoas e seus objetivos. Para o mobiliário, significa assumir um papel mais flexível nessa transformação.
Referências
Lauterbach & Borge (2026) — Activity-Based Offices e efeitos sobre comportamento, contato e estresse.
Journal of Occupational and Organizational Psychology
Colenberg / TU Delft (2023) — design, interação social, pertencimento, atmosfera, diversidade e privacidade.
Delft University of Technology
Zhang et al. (2026), ACM CHI — conexão, interações informais, comunidade e identidade no ambiente de trabalho.
ACM CHI 2026